Atualização do mercado: 21 de janeiro de 2026 - A incerteza toma conta do volante

Ontem, os mercados deixaram finalmente de fingir.

As acções registaram a sua pior sessão desde 10 de outubro de 2025, com os investidores a decidirem coletivamente que “passar por dificuldades” já não era uma tese de investimento suficientemente robusta. No fecho, os danos eram inequívocos: o S&P 500 caiu cerca de 2,05%, o Nasdaq caiu perto de 2,12% e o Dow Jones Industrial Average caiu pouco mais de 2%. Na Europa, o STOXX 600 desceu cerca de 1,9%, enquanto as acções do Reino Unido desceram, com o FTSE 100 a cair cerca de 1,6%.

Não foram números catastróficos, mas foram números confiantes. O mercado sabia o que queria fazer, e fê-lo rapidamente.

Uma lista crescente de coisas em que os investidores preferem não pensar

O problema subjacente não é o facto de alguma coisa ter corrido mal. É o facto de demasiadas coisas poderem correr mal.

A geopolítica, por exemplo, continua a alargar o seu alcance a locais que os mercados tinham confortavelmente ignorado. A Gronelândia, há muito considerada estrategicamente importante mas financeiramente irrelevante, voltou a entrar na conversa global de uma forma que recorda aos investidores que “fora do campo esquerdo” ainda está muito em jogo. Os mercados não gostam de convidados surpresa, especialmente quando chegam com um crachá geopolítico.

Depois, há os direitos aduaneiros. Tal como os investidores se tinham convencido de que as guerras comerciais eram um artefacto histórico que devia ser discutido em retrospetiva e em painéis de conferências, a retórica das tarifas regressou, mais uma vez vestida como uma opção política e não como um último recurso. Os mercados lembram-se de como esta história acaba: custos mais elevados, crescimento mais lento e muitas explicações pós-evento sobre “consequências não intencionais”.”

E, claro, Davos. A peregrinação anual aos Alpes, organizada pelo Fórum Económico Mundial, prometia diálogo, visão e coordenação. Em vez disso, o que os mercados ouviram foi uma aula magistral de otimismo condicional. A confiança a longo prazo foi abundante; a convicção a curto prazo, não. Quando os líderes se mostram optimistas em relação a 2035 mas cautelosos em relação ao próximo trimestre, os mercados acionistas tendem a aperceber-se.

Quando o mercado pára de dar o benefício da dúvida

Nenhum destes factores, por si só, justificaria normalmente uma forte liquidação. Em conjunto, criaram um ambiente em que os investidores decidiram que a incerteza já não estava a ser adequadamente avaliada.
A volatilidade aumentou em conformidade, não porque os investidores se tenham subitamente convencido de que as coisas estavam prestes a descambar, mas porque se aperceberam de que estavam a ser mal pagos pelos riscos que já corriam.

A proteção voltou a estar na moda. Seguiu-se a redução dos riscos.

A venda foi mais alargada do que cirúrgica. As acções de empresas em crescimento foram as mais atingidas, mas as defensivas não conseguiram oferecer o santuário habitual, o que sugere que se tratou menos de uma rotação e mais de um recuo.

A mensagem era subtil mas clara: quando o nevoeiro se adensa, até os pontos de referência familiares se tornam menos reconfortantes.

Porque é que esta venda foi diferente

Os recuos recentes tinham sido assuntos educados, breves, superficiais e rapidamente esquecidos. Ontem não foi nem educado nem esquecível.

Os compradores de acções apareceram, mas sem entusiasmo. As vendas no final da sessão sugeriram que os investidores estavam mais interessados em dormir à noite do que em provar um ponto de vista. A confiança não entrou em colapso; simplesmente deixou de aparecer sem ser convidada.

Essa mudança é importante. Os mercados podem tolerar más notícias. Têm dificuldade em lidar com questões abertas.

Conclusão

Em momentos como este, os mercados comportam-se como as pessoas confrontadas com demasiadas opiniões e pouca clareza: recuam, reavaliam e reduzem discretamente os compromissos. Não é medo, é cansaço.
É pouco provável que este seja o início de um declínio linear. Mas pode muito bem marcar o fim da complacência. Num ambiente em que a geopolítica surge em locais inesperados, a política comercial se recusa a ficar enterrada e os líderes globais falam fluentemente mas com cautela, o otimismo precisa de uma base mais forte do que o hábito.

Para já, a incerteza está de novo no comando e a cobrar uma taxa mais elevada. Os investidores fariam bem em prestar atenção, manter as posições em posições sensatas e lembrar-se de que, quando as perspectivas são descritas como “complexas”, isso geralmente significa que o dinheiro fácil já foi ganho.

Os mercados acabarão por encontrar clareza. Até lá, estão a recordar a todos uma verdade inconveniente: a confiança é opcional, mas o risco não é.

De qualquer forma, até à próxima, todos vocês negoceiem em segurança!

Por James Trescothick
Diretor de Estudos de Mercado e Análise de Mercado

Aviso de risco: Esta informação destina-se apenas a fins educativos e não constitui um conselho de investimento. Os mercados financeiros envolvem riscos e o desempenho passado não é indicativo de resultados futuros. Realize sempre a sua própria investigação e procure aconselhamento profissional antes de tomar decisões de investimento.

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