Atualização do mercado: 23 de janeiro de 2026 - O dólar desliza, os metais brilham

O dólar norte-americano acaba de sofrer a sua pior semana desde junho e a reação do mercado tem sido de uma calma reveladora. Sem drama, sem desordem. Apenas um reconhecimento silencioso de que o comércio se tinha tornado um pouco confortável demais.

O gatilho era suficientemente previsível. Os dados dos EUA abrandaram nas margens, a inflação não conseguiu reafirmar-se e as expectativas de cortes nas taxas voltaram a avançar. Nada de decisivo, mas o suficiente para destruir a história do rendimento do dólar. Quando os diferenciais de taxas deixam de se alargar, a lógica de permanecer numa posição longa e lotada começa a enfraquecer.

É importante salientar que não se tratou de um movimento de redução do risco. As acções mantiveram-se firmes, a volatilidade foi suprimida e não houve uma corrida à segurança. Nesse ambiente, o dólar não entrou em colapso, simplesmente tornou-se opcional. Os investidores reduziram a exposição, mudaram de posição e seguiram em frente.

Um dos beneficiários mais claros tem sido os metais preciosos. Com o abrandamento do dólar e a descida dos rendimentos reais, tanto o ouro como a prata encontraram um novo apoio. O ouro, em particular, continua a beneficiar de uma combinação de uma dinâmica mais suave do dólar e de uma procura persistente de diversificação, que não tem a ver com uma cobertura contra o pânico, mas sim com um seguro discreto. A prata seguiu o mesmo caminho, ajudada pelo seu duplo papel de ativo monetário e cíclico num cenário de risco globalmente construtivo.

O posicionamento acrescenta contexto. As posições longas em USD tinham-se reconstituído de forma constante ao longo dos últimos meses, deixando a moeda exposta quando os dados deixaram de apresentar surpresas positivas. Esta semana pareceu menos uma capitulação e mais uma limpeza de primavera, que iluminou mais do que rasgou o manual.

Conclusão

Será que isto marca o início de uma tendência de baixa sustentada do dólar? Provavelmente ainda não. O crescimento dos EUA continua relativamente resistente e o papel do dólar como refúgio por defeito do mercado não desapareceu. Mas a fasquia para uma força renovada está a subir. Sem uma validação consistente dos dados, o dólar corre o risco de ficar à deriva em vez de dominar.

Para já, isto parece uma recalibração. O dólar recua, os metais avançam e os mercados voltam a lembrar-nos que as transacções consensuais só funcionam enquanto todos continuarem a acreditar.

De qualquer forma, até à próxima, todos vocês negoceiem em segurança!

Por James Trescothick
Diretor de Estudos de Mercado e Análise de Mercado

Aviso de risco: Esta informação destina-se apenas a fins educativos e não constitui um conselho de investimento. Os mercados financeiros envolvem riscos e o desempenho passado não é indicativo de resultados futuros. Realize sempre a sua própria investigação e procure aconselhamento profissional antes de tomar decisões de investimento.

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